“Quem vai sofrer vai ser o povo brasileiro”, diz vereador sobre médicos cubanos

A Câmara de Osasco aprovou, na sessão desta terça-feira (20), uma Moção de Agradecimento aos médicos que atuam no Mais Médicos, do governo federal. A homenagem acontece após o anúncio da saída dos profissionais cubanos do programa, por divergências entre o governo de Cuba e o presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL).

A moção é destinada a todos os profissionais do Mais Médicos, mas o autor da propositura, Mário Luiz Guide (PSB), deu ênfase aos serviços prestados pelos cubanos: “Parte importante da população de Osasco foi atendida por médicos cubanos. Conheço muitos que foram muito bem atendidos por eles”, declarou.

Hoje atuam 32 profissionais de Cuba na rede municipal de Saúde de Osasco por meio do Mais Médicos. Na região, são cerca de 120 e no país, 8,3 mil. Guide destacou que os médicos cubanos “atendem basicamente a população da nossa periferia”.

O parlamentar declarou ainda que a Moção é destinada a todos os profissionais, em meio à saída dos de Cuba, devido ao momento político do país. “Estamos num momento em que a razão está num plano secundário, os ressentimentos e as emoções estão colocadas em primeiro lugar. Para evitar a politizar, fiz extensivo a todos, mas incluindo os médicos cubanos”, disse Guide.

“O povão vai pagar com isso, e vai pagar caro”, diz parlamentar

O vereador Tinha Di Ferreira (PTB) criticou o presidente eleito Jair Bolsonaro pelos ataques que fizeram o governo de Cuba abandonar o Mais Médicos e lembrou que os médicos cubanos atendem principalmente na periferia e em cidades afastadas dos grandes centros, onde há dificuldade em se contratar profissionais formados no Brasil.

“Ele tem que pensar, porque ele está falando pelo país. Vocês não têm noção de onde os médicos cubanos estão atendendo nesse Brasil”.

Para Tinha, “a maioria dos médicos que se formam em nosso país estão preocupados em ganhar dinheiro, não estão preocupados em atender aos que mais precisam”. O vereador valia, que “o povão vai pagar com isso, e vai pagar caro. Quem vai sofrer vai ser o povo brasileiro”.

Sobre as críticas de Bolsonaro ao fato de 70% do valor pago pelo governo brasileiro ser destinado ao governo de Cuba e não aos médicos do programa, Tinha declarou: “Os convênios [no Brasil] pagam um quarto da consulta para os médicos. Então vamos corrigir isso também, presidente”.

Com os 8,3 mil médicos cubanos de saída do Mais Médicos, o governo federal publicou hoje (20) edital para a contratação de 8.517 médicos formados no Brasil. Os profissionais interessados podem se inscrever por meio do site maismedicos.gov.br.

 

Visão Oeste

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