Casos de bruxismo crescem na pandemia: descubra como prevenir e tratar o problema

O hábito preventivo de permanecer mais tempo em casa durante a pandemia tem provocado o surgimento de patologias que preocupam as autoridades de saúde. Uma delas é a incidência de bruxismo, um hábito deletério caracterizado pelo ranger e a pressão sobre os dentes. Isso pode acontecer no período noturno, durante o sono, ou mesmo durante o dia.

Trata-se da contração involuntária dos músculos da mastigação, levando a um movimento da mandíbula que provoca o atrito entre os dentes superiores e os inferiores. Essa tensão, em um médio prazo, pode levar ao agravamento de diversos problemas: dores de cabeça, sobretudo na região temporal; enxaqueca; dor na articulação temporomandibular; insônia; dentre outros.

A nível bucal, o bruxismo pode causar: trincas e fraturas dentais; mobilidade dental; aposição (exostose) óssea; inclinação dos planos dentais; hipertrofia e/ou assimetria dos músculos da mastigação; lesões dentais não cariosas; desgaste e hipersensibilidade dental; dentre outros.

O impacto emocional é uma das origens do surgimento do bruxismo. Por isso, casos de estresse, depressão ou ansiedade provocados pelo maior tempo em casa vêm fazendo aumentar o número de pacientes com bruxismo. Nos últimos anos, a Organização Mundial da Saúde (OMS) chegou a calcular que 30% da população mundial sofrem com o distúrbio. Em nosso país, estima-se que o problema atinja 40% dos brasileiros, o que representaria algo próximo de 85 milhões de pessoas com bruxismo, antes mesmo do início da pandemia.

O distanciamento social adotado na maior parte do mundo, inclusive por aqui, torna importante a prevenção e o tratamento também contra esse hábito nocivo. Uma das primeiras medidas é a incorporação de uma placa acrílica miorrelaxante, que tem a finalidade de conter a tensão imposta nos dentes. “A placa para controle do bruxismo reduz o contato direto entre os dentes, impedindo o desgaste recorrente desse movimento. Além disso, posiciona a articulação temporomandibular de forma confortável para o paciente. Entretanto, é necessário conversar com o profissional, porque existem placas que provocam efeitos diferentes em quem tem problema de bruxismo”, explica o cirurgião-dentista André Pataro, doutor e mestre em Odontologia.

Botox

Mas há, ainda, outras formas de combater o bruxismo. A aplicação de toxina botulínica (cuja marca mais conhecida é o Botox) também oferece resultados significativos no controle do bruxismo. Isso porque a bactéria Clostridium Botulinum, “princípio ativo” da toxina, tem o poder de relaxar os músculos, eliminando as contrações.

“O que fazemos é aplicar a toxina botulínica exatamente nos principais músculos da mastigação, para diminuir a hipertrofia causada pela intensa função repetitiva. A toxina botulínica inibe a captação de acetilcolina, um neurotransmissor excitatório responsável por dar o comando para o músculo contrair. Quando inibimos essa ação, conseguimos diminuir os danos causados pelo hábito de apertar ou ranger os dentes. Isso por que esses músculos que antes estavam extremamente fortes, com a toxina botulínica ‘emagrecem’, não gerando o mesmo dano que antes. Aliás, pode inclusive ocorrer a diminuição do seu volume em até 37%, gerando um efeito emagrecedor na face”, detalha André Pataro, que também realiza procedimentos de Harmonização Orofacial.

Entretanto, explica que a presença da neurotoxina no organismo não é permanente. “Os efeitos da toxina botulínica começam cerca de três dias após a aplicação. E ela dura no organismo por aproximadamente três a quatro meses, dependendo de diversos fatores, inclusive do comportamento do próprio paciente. Ao longo deste tempo, a substância é absorvida pelo próprio corpo, sem nenhum risco à saúde”, esclarece. “Uma das vantagens da toxina é que não há restrições para repetir o procedimento após o período em que ela é eliminada”, observa.


Alerta

Por fim, Pataro aponta que nos últimos anos o número de casos de bruxismo tem aumentado intensamente, inclusive com a elevação dos danos gerados por esse hábito. “Não é raro surgirem casos em que o paciente precisa realizar cirurgias de implante dentário para substituir dentes perdidos por fratura devido ao ranger e apertar dos dentes. É importante ficar atento aos sintomas do distúrbio e manter o acompanhamento odontológico. Sobretudo, é fundamental investir na qualidade de vida, como prática de atividade física, vigilância do sono, meditação e, em certos casos, procurar ajuda para tratar questões emocionais”, conclui.  

Conteúdo: Assessoria Naves Coelho